Slow content: já que devemos fazer, façamos bem feito

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Na nossa era, vivemos somos excessivamente expostos a incontáveis conteúdos de uma maneira inédita na história. Os impactos disso sobre nossa vida ainda são incertos. Essa tempestade perfeita foi resultado de muitos fatores. A produção de conteúdos multiplicou muitas vezes, pois além de conteúdo produzido por jornais, escritores e outros profissionais da área, temos cada indivíduo com a possibilidade de produzir diversos conteúdos de texto a vídeo (passando por diversas outras formas de expressão). Acesso à internet a todo tempo e todo lugar garante que sempre estamos disponíveis. As redes sociais e as conversas cuidam da parte da distribuição dos conteúdos entre nós.

O resultado disso é que estamos sendo bombardeamos e soterrados por todos os lados com excesso cognitivo: notícias, memes, vídeos, textões, tutoriais de todos os tipos e infinitas variações. Esse fluxo acabou nos viciando. Da espera do elevador até o intervalo comercial da novela, estamos consumindo informação.

As empresas perceberam nesse fluxo uma grande oportunidade para se inserir mais organicamente nas conversas dos indivíduos, já que o mercado de propaganda tradicional, interruptivo e descontextualizado tem sido cada dia menos eficiente. Surge assim o marketing de conteúdo. Os objetivos e benefícios são vários e conhecidos, passando desde uma melhor indexação para palavras-chaves no Google até engajamento nas redes sociais.

A “nova propaganda”

Sendo a “nova propaganda”, começa a se ter a necessidade de criar conteúdos em uma escala industrial. Infelizmente, porém, enquanto a quantidade de conteúdos cresce exponencialmente, a qualidade dos textos segue a tendência oposta. Há muito tempo a internet está contaminada com conteúdo superficial.

A maior parte desse tipo de texto criado em escala aborda assuntos complexos com a profundidade de um pires. Isso ao mesmo tempo é influenciado e influenciador da nossa própria maneira de nos informar. Sentimos que temos pouco tempo a perder. Queremos tópicos. Listas numeradas. Pulamos parágrafos. Procuramos palavras-chave. Queremos respostas prontas, não que nos suscitem mais questões.

Porém isso vai contra nossa própria natureza. Como seres complexos que somos com imensas faculdades mentais, um dos maiores prazeres que podemos sentir é o imergir profundamente em um assunto, utilizando o máximo do nossos recursos cognitivos. O caminho para isso pode variar: uma leitura profunda, refletir sobre um assunto, descobrir coisas novas, imaginar novos cenários. Humanos são naturalmente resolvedores de problemas e temos ânsia por tentar entender melhor tudo aquilo que nos rodeia. Por isso a o marketing de conteúdo não não está errado no o quê faz ou no porquê, mas sim no como.

O caminho fácil e o caminho difícil

Nós, produtores de conteúdo, devemos tomar uma difícil decisão. Há o caminho fácil de conteúdos rasos e rápidos, que podem atender a um ou mais requisitos mercadológicos. No caminho difícil, não há segredo: bons conteúdos levam tempo para serem produzidos. Exigem pesquisa, reflexão, amadurecimento, estruturação. Sem isso, é provável que os conteúdos falem mais do mesmo, maquinalmente, sem nenhum toque humano.

No dia-a-dia de prazos apertados e corridos, sempre que se encontrar nesse dilema e a tentação for forte para seguir o caminho rápido e fácil, lembre-se: além dos algoritmos do Google, quem vai consumirá esse artigo será alguém como você.